Afinal, tudo se esconde entre sorrisos e gargalhadas.

04
Abr 09

Encontravam-se ali todas as manhãs, naquela praia onde mais ninguém ia, de areia branca, fina e muito macia, com grandes rochedos que o ardente sol aquecia e mar muito límpido e calmo. Não conheciam a voz um do outro mas conheciam-se como a si próprios. Nunca, durante todo o tempo em que sempre à mesma hora se encontravam ali disseram uma palavra, nunca os grandes lábios dele tocaram na sua face nem nos finos lábios dela. Apenas o olhar se cruzava numa magia que só os olhos azuis muito claros dela e os intensos olhos verdes dele permitiam.

Naquela manhã, quando o Sol os brindava com o seu nascer, quando as ondas pareciam não existir, e quando as gaivotas, que deixavam as marcas das suas pequenas e frágeis patas na areia molhada pelo salgado mar, chegavam junto deles, par por par, as suas mãos tocaram-se, o olhar tornou-se mais brilhante, os lábios uniram-se de uma forma meiga e intensa e os dedos interligaram-se num laço de força que nunca mais se quebraria.
E, sem nunca darem a conhecer a sua voz, na praia onde o céu beija o mar e onde as ondas se envolvem com a areia, eles envolveram-se numa dança de amor, sob o olhar atento das sereias. E todos os dias continuavam a ir àquela praia, sempre à mesma hora, sem nunca terem planeado, até ao dia em que o mar os levou para junto das criaturas que esconde entre a sua água e os rochedos que o ardente sol aquece, sem nunca sequer balbuciarem o seu nome.
 
Texto para a Fábrica das Histórias !
publicado por filipap às 22:39

comentário:
aiii...ta fantastico.

muitos parabens*
Lara a 6 de Abril de 2009 às 18:15

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